domingo, 29 de junho de 2014

Iá ne gavariu paruski

"iá ne gavariu paruski". Tradução: eu não falo russo. Essas e outras "frases de efeito" como "iá ne panimaiu" (eu não entendo) estão num moleskine que preparei especialmente para esta viagem, a partir de algumas aulas de russo que fiz neste mês.

Sim, eu já fiz dois semestres de russo durante a graduação e mestrado para me ajudar na tarefa de analisar um dos romances de Dostoévski que era então meu "objeto de estudo": O Idiota. Porém, isto foi há muito tempo. Assim, recentemente, contratei algumas aulas com a professora Ludmila que coincidentemente tinha uma escola que ficava na quadra ao lado da minha aqui em Brasília.

Com base nessas poucas aulas, consegui lembrar do alfabeto cirílico russo, de algumas palavras e expressões que aprendi anos atrás. Além disso, também aprendi e anotei algumas palavras chaves para sobreviver minimamente na Paris do Norte durante uma semana. Entretanto, o mais proveitoso das aulas foi o retorno à língua e cultura russa que me abriu a mente anos atrás.



Preparativos

Este é um blog que inicia-se um dia antes de uma viagem que durante muito tempo foi um sonho: conhecer São Petersburgo, a Paris do Norte como já foi chamada no século XIX.

O desejo de conhecer a "capital neoclássica do mundo" surgiu durante a realização do meu mestrado em Dostoiévski, uma vez que esta cidade estava sempre presente em seus romances assim como em sua biografia. Portanto, conhecê-la pessoalmente é revistar tudo o que li e estudei deste grande romancista num período significativo da minha vida. 

Além disso, visitar esta cidade implica também em revisitar parte de mim mesmo. Parte do meu conhecimento, do meu imaginário, da minha cultura, das minhas leituras e também dos livros que acumulei sobre a sociedade e cultura russa. E, dentre esses livros, um merece destaque aqui: um guia da cidade que ganhei como presente de aniversário há quase uma década. Agora, enfim, chegou a vez de usá-lo!